quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Fruto bom do Cerrado

Mostramos acima uma das principais atrações dos últimos meses do ano no Sítio Amarelo. Nessa época, somos presenteados pela Mãe Natureza com a frutificação dos pequizeiros (Caryocar brasiliense Cambess), que ficam carregados com esse saboroso fruto do Cerrado, rico em vitaminas A e C.

Aos fãs da especiaria, vale destacar que o pequi não deve ser colhido dos galhos, pois ainda não estão maduros. Apenas os frutos caídos no chão já estão prontos para o consumo.

O pequizeiro é uma árvore protegida por lei, tendo o corte e a comercialização da madeira proibidos em todo o território nacional (Portaria Federal 54, de 5 de março de 1987). Além disso, a espécie é tombada no Distrito Federal (Decreto Distrital n° 14.783, de 17 de junho de 1993).

Do pequi, é possível extrair o óleo, a castanha e produzir medicamentos. A utilização medicinal do fruto se dá como afrodisíaco e no tratamento de problemas respiratórios. As folhas da árvore são adstringentes e estimulam o funcionamento do fígado.

Na culinária, uma das receitas mais conhecidas é o tradicional arroz com pequi, que provamos bastante a cada fim de expediente na construção da sede do Sítio Amarelo. Estão todos servidos?

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Banheiro se faz assim

Chegamos à fase de acabamentos e, evidentemente, já não resta dinheiro algum para continuar a obra. A estratégia, então – econômica e ambientalmente viável nessa etapa –, é apelar à criatividade e ao reaproveitamento de materiais. O banheiro da sede do Sítio Amarelo foi todo revestido com peças cerâmicas que sobraram de outras obras.


Com habilidade e paciência, o construtor esculpiu o piso e as paredes como um mosaico de cacos de cerâmica multicoloridos. Dessa forma, obtém-se um resultado único e artístico.


A pedra de mármore que sustenta a pia também foi reaproveitada de uma reforma e retirada diretamente de um contêiner. Lapidamos os cantos e conseguimos uma peça perfeita para o nosso objetivo. A cuba elipse era a última em uma loja e saiu por um precinho promocional. O sanitário usa o sistema de descarga econômica, com opção para fluxos d'água de 3 ou 6 litros.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Uma ilustre e bela visitante

As obras da sede do Sítio Amarelo estão praticamente concluídas, restando apenas a pintura e a instalação de portas e janelas. Por isso, iniciamos os trabalhos de recuperação de alguns móveis que nos foram generosamente doados, mas estavam guardados em um depósito improvisado, coberto por lonas. Quando nos preparávamos para retirar um pequeno armário, vejam só quem estava debaixo.


Desde o início da movimentação, já prevíamos que algo parecido poderia acontecer (como, de fato, ocorreu). Mantivemos a calma, apreciamos a beleza insinuante da serpente (algum leitor do blog arriscaria a identificação da espécie?) e pedimos gentimente para que ela procurasse outro abrigo.


Seguindo à risca nossa política de absoluto respeito à vida selvagem, com a ajuda de uma vara de bambu, levamos a cobra até um lugar seguro, em um ponto mais afastado da casa.


Ao contrário do que o senso comum proclama, as serpentes não são traçoeiras ou relacionadas ao pecado. Algumas culturas até as admiram como símbolos da sabedoria. Seja como for, o fato concreto é que esses seres exercem funções importantes no equilíbrio ecológico. Por isso, no Sítio Amarelo, não matamos as cobras, mas mostramos (e plantamos) o bambu.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Anexo I e outras novidades

Os trabalhos seguem em ritmo intenso e, nas últimas semanas, a construção da sede do Sítio Amarelo entrou definitivamente na reta final, com a fase de acabamentos. Durante as atividades recentes, no entanto, surgiram novidades, como a obra do Anexo I.


A nova construção usa basicamente duas tecnologias sustentáveis: o adobe (tijolos de terra crua) e o superadobe (terra compactada em bombinas de ráfia). Dessa forma, evitamos a derrubada de florestas para a produção de lenha que seria usada na fabricação de tijolos cozidos.


A princípio, a ideia era utilizar o espaço como um depósito para ferramentas e outros objetos. Mas o bioconstrutor Geraldo Bertelli caprichou tanto no serviço que já estamos pensando em transformar a nova construção em um chalé para hóspedes ou outros usos. Diante da indefinição, ganhou o singelo apelido de Anexo I. Em breve, voltaremos com mais detalhes sobre essa obra.


Outra boa notícia fica por conta da construção do nosso fogão à lenha. No caso dessa obra, fomos obrigados a utilizar tijolos cozidos, como forma de garantir a resistência do artefato diante do calor gerado pela peça em funcionamento.


De qualquer forma, foi possível introduzir técnicas da construção natural no fogão caipira. A divisão dos compartimentos da peça foi realizada com a aplicação de pequenas paredes de superadobe.


O piso da casa-mãe também já foi finalizado, utilizando a técnica conhecida como cimento queimado. O resultado apresenta um certo aspecto rústico, mas tem baixo custo e é bastante eficiente quanto à manutenção.


A cozinha recebeu a instalação da pia. A peça foi reaproveitada após o descarte realizado em uma reforma de apartamento em Brasília. No Sítio Amarelo, levamos a sério os conceitos de reciclagem.


A pintura da casa-mãe também começa a se desenhar. Após a retirada dos sacos de superadobe, por meio da queima com uso de maçarico, as paredes externas foram rebocadas e receberam uma primeira demão de tintura à base de cal e cola. O próximo passo será estabelecer um desenho criativo para as fachadas. Amigos artistas, sintam-se convidados para a tarefa...


Calhas para a captação de água da chuva foram instaladas ao redor de toda a casa. O recurso será usado para abastecer reservatórios, que entrarão em uso durante o longo período de estiagem no Cerrado.


Por fim, a fachada frontal ganhou uma proteção de vidros na parte superior, como forma de diminuir a entrada de chuva na varanda. Mais uma vez, utilizamos peças retiradas de reformas de imóveis em Brasília. Essa estratégia tem nos ajudado a reduzir diversos custos.
Por ora, é isso! Demos uma pincelada geral para mostrar como seguem os trabalhos no Sítio Amarelo e, em breve, voltaremos com mais novidades em detalhes. Até logo e feliz 2012 para todos!

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Trabalho em equipe é isso aí

Uma imagem que causa espanto e estranhamento em uma primeira impressão, mas que o olhar atento saberá desvendar a sabedoria e a beleza dos sutis movimentos da natureza. Para evitar possíveis predadores, uma colônia de lagartas se desloca como um único corpo, numa dança sincrônica e insinuante sobre o solo. É o poder da união, que faz os pequenos se tornarem grandes.



Assista acima ao vídeo que mostra a harmonia e a cooperação entre esses pequenos seres, que buscam juntos alcançar um ponto seguro para a evolução – a metamorfose em futuras borboletas.
Quanta coisa nos ensina esse planeta Terra...

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Avanços na obra da sede do Sítio Amarelo

O tempo passa, o trabalho evolui e a obra da sede do Sítio Amarelo caminha para o esperado desfecho. Ainda há bastante a fazer, mas, como se diz por aí, "agora já estamos mais perto do que longe". Acima, vemos a fachada frontal da casa (clique nas imagens para ampliar), com parte da estrutura da cobertura instalada.


Em uma imagem aérea, mais alguns detalhes da estrutura do telhado. A madeira utilizada é o angelim vermelho. Agradecemos à mãe Natureza por nos emprestar tão forte e valioso material. Resta-nos o compromisso de investir em reflorestamento, para que essa vigorosa fartura também se apresente no futuro.


Nesta foto, temos uma lateral e os fundos da casa, feitos em superadobe, servindo de suporte para o futuro telhado. O peso da cobertura exerce um papel importante para consolidar a firmeza das paredes.


A colocação dos portais é um dos momentos representativos da obra, indicando o bom andamento dos trabalhos.


Além da argamassa, o construtor reforça a instalação das peças, prendendo os portais às paredes de adobes, perfurando e os unindo com pequenas estacas de madeira.


E eis as telhas cobrindo a casa. As peças são de cerâmica (mais leves e resistentes do que as tradicionais coloniais de barro), com uma das faces esmaltadas em coloração branca. Um material de excelente qualidade, com encaixe de alto nível, que garantirá boa proteção contra a chuva e o calor.


Apesar de ainda restar vários passos até o acabamento final, a visão interna da casa já chama a atenção. Nesta imagem, a parede que divide a sala com a cozinha, decorada com algumas garrafas.


Em mais uma espiadinha no interior da sede, temos a parede da entrada da casa iluminada pelos raios de sol da manhã.


Por ora, é isso. Esperamos voltar em breve com mais novidades. Despedimo-nos com uma gentil imagem do Cerrado. Apesar da seca e do calor dessa época do ano, as flores desse espetacular bioma insistem em nos presentear. Então, obrigado!

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Os adobes entram em cena

.....clique nas imagens para ampliar.....

Após mais algumas semanas de trabalho, as paredes de adobe da sede do Sítio Amarelo tomam forma. A fachada já está bem definida e recebeu algumas garrafas, com o objetivo de facilitar a entrada de luz natural na casa, além de servirem como uma forma de decoração.

Antes de avançarmos nesta exposição, voltemos um pouco no tempo. Logo após a fabricação das 2 mil peças de adobes, há cerca de seis meses, começou o último período de chuvas, o que nos forçou a interromper os trabalhos por algum tempo. Felizmente, recebemos a doação de uma antiga lona de piscina, que serviu para proteger os tijolos.

Com a chegada de mais uma fase de seca no Cerrado, hora de colocar a mão na massa. A obra segue em ritmo acelerado. Na foto acima, uma visão em detalhe da janela da fachada frontal, feita a partir da utilização de uma manilha.

Nesta imagem, é possível ter noção da divisão da primeira etapa da casa, que terá ao todo cerca de 70 metros quadrados. À esquerda, as entradas para o banheiro e à cozinha. Do lado direito, o espaço da sala.

Caminhando em volta da construção, é curioso observar a interação da obra com a paisagem natural. Aos poucos, a intervenção humana altera o cenário. No nosso caso, no entanto, esperamos levar um impacto positivo à região, promovendo reflorestamentos e abrindo o espaço para a educação ambiental dos futuros visitantes. Na imagem acima, vemos as paredes externas da casa, feitas de superadobe, e a parte mais elevada da fachada frontal e das divisões internas, de adobe.

Nesta foto, uma imagem aérea da primeira etapa da construção. À esquerda, as divisões do banheiro e da cozinha. Do lado direito, a sala.

Em um momento diferente, o mesmo cenário descrito acima. Para dar mais firmeza às paredes e evitar futuras rachaduras, pode-se inserir vergalhões de 1/4 ao longo das fiadas de adobe, ao menos a cada três ou quatro camadas. Outra opção seriam finas ripas de alguma madeira de lei (geralmente sobras em madereiras). Para isso, os tijolos devem sofrer pequenos cortes (sulcos), possibilitando o encaixe apropriado das ripas.

Para finalizar esta publicação, a segunda etapa da casa, com dois quartos na parte mais interna da construção. Em breve, esperamos voltar com mais novidades. A hora de iniciar a cobertura se aproxima. Até logo!