À beira do fogão à lenha, o tempo transcorre ao ritmo natural. É preciso colher os galhos, alimentar a chama e aguardar o calor forjar os frutos da terra ao paladar. Por vezes, a fumaça irrita os olhos, mas a espera por uma refeição de sabor único compensa o esforço.
Tijolo por tijolo (de 21 furos é uma boa opção), a estrutura ganha forma: vai abrigar forno, a chapa do fogareiro, além de compartimentos para cinzas e lenha. Quem tiver interesse em receber um manual com um modelo interesssante de fogão caipira, envie-nos um e-mail com a solicitação.
No Sítio Amarelo, fizemos a divisão dos compartimentos utilizando a técnica do superadobe – uma improvisação necessária, na falta de material mais comumente utilizado nesse tipo de serviço, mas que funcionou bem. Às vezes, um pouco de jazz cai bem nas construções.
A colocação da laje é um momento importante e delicado na construção do fogão caipira. O trabalho exige atenção na armação dos ferros e na confecção da massa, que suportarão o peso incidente sobre a estrutura.
Com o fogão finalizado, recorremos ao nosso estoque de cerâmicas para fazer o revestimento. Todas as peças utilizadas foram reaproveitadas de restos de obras. Um serralheiro da região confeccionou as tampas dos compartimentos e a válvula da chaminé.
E está servida a primeira refeição do fogão caipira do Sítio Amarelo. Um vizinho nos deu uma importante dica que reproduzimos aos menos experientes no uso do equipamento: "a lenha deve ser posicionada de forma cruzada, facilitando a passagem do ar para alimentar a chama. Gravetos e alguns jornais, por baixo dos galhos maiores, ajudarão a acender o fogo mais facilmente. E, na hora de utilizar o forno, a válvula da chaminé deve estar fechada".
Nas noites de lua cheia, dá para se aquecer à beira do fogão, tomando
um bom chá e curtindo a vista.
quarta-feira, 25 de abril de 2012
terça-feira, 10 de abril de 2012
Essa realidade precisa mudar
É vergonhoso, mas – em pleno século 21 – o Brasil ainda está repleto de lixões. Da capital do país aos municípios mais isolados, multiplicam-se os terrenos para onde, de forma absolutamente inapropriada, são destinados os produtos de uma sociedade que lamentavelmente ainda não aprendeu a lidar com a crescente tendência consumista. O resultado disso: contaminação do solo e da água, aumento da população de insetos propagadores de doenças e consequente prejuízo à saúde humana, de plantas e de inúmeros animais.
Em São João D'Aliança, na Chapada dos Veadeiros, município localizado a 160km de Brasília, esse problema se repete. Em uma vala a céu aberto, o lixo da cidade é reunido sem qualquer cuidado em relação à separação dos diferentes tipos de materiais. Segundo os moradores da região, quando o volume de resíduos aumenta muito, os administradores do local queimam as pilhas de sacos de lixo, deixando a cidade sob uma névoa tóxica e mal cheirosa.
Falta uma política minimamente eficaz quanto à gestão do lixo. São ignorados até mesmo cuidados elementares contra doenças de potencial epidêmico. É comum observar no lixão criadouros de mosquitos da dengue, com uma crescente pilha de pneus velhos estocados.
O manejo inapropriado dos resíduos gera prejuízos a fazendeiros da região, pois alguns animais acabam ingerindo sacolas inteiras de lixo e morrem por sufocamento ou outras indisposições orgânicas.Materiais eletrônicos, que em princípio devem ter um descarte adequado e criterioso, pois contêm substâncias tóxicas e cancerígenas, também são dispensados no lixão, sem qualquer cuidado especial.
Nesta quarta-feira (11/4/2012), parlamentares em Brasília lançam uma frente pelo incentivo à reciclagem. Boa iniciativa, que precisa superar o campo das intenções e se transformar em medidas práticas e reais. O país está em ano eleitoral para a escolha de novos prefeitos e vereados. É urgente que os gestores públicos se atenham a esse tema. Pelo bem do Brasil e do planeta, a população precisa exigir ações eficazes nessa área.
terça-feira, 13 de março de 2012
Investimento em bambu é líquido e certo
Entre as diversas espécies que planejamos cultivar no Sítio Amarelo, o bambu terá papel de destaque. Nossas primeiras mudas foram plantadas recentemente e, em pouco tempo, apesar de ainda não receberem uma adubação adequada, já apresentaram um expressivo crescimento. Se tratado corretamente, o bambu atinge ponto de corte em cerca de cinco anos, com varas de aproximadamente 10 metros de altura.
Nossas mudas têm sido preparadas da seguinte forma: com um arco de serra (segueta), cortamos a vara de forma a separar os brotos, que se desenvolvem nos entrenós; depois, plantamos cada seção em covas, que devem ser bem regadas e adubadas. Após serradas, as hastes de bambu resistem vivas durante um bom tempo, se mantidas em um recipiente com água.
Mas afinal de contas, por que plantar bambu? A resposta é evidente. Trata-se de um recurso madeireiro de alta resistência e uso diversificado, tendo como vantagem sobre outras espécies o potencial renovável.
O bambu pode ser utilizado da alimentação até a construção de moradias e veículos, como uma bicicleta. Essa variedade de produtos derivados é possível graças aos diferentes tipos da espécie, que variam em cores e dimensões (altura e espessura) – desde caules finos a mais robustos.
O potencial artístico do bambu também impressiona. Em uma recente exposição no Museu do Índio, em Brasília, ripas da espécie compuseram um grandioso cenário para abrigar as peças da amostra. O trabalho foi realizado pela equipe do professor Frederico Rosalino, uma das autoridades do ramo no Centro-Oeste do país. Em breve, voltaremos com mais informações sobre o cultivo e os usos do bambu. Fiquem de olho...
quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012
Fruto bom do Cerrado
Mostramos acima uma das principais atrações dos últimos meses do ano no Sítio Amarelo. Nessa época, somos presenteados pela Mãe Natureza com a frutificação dos pequizeiros (Caryocar brasiliense Cambess), que ficam carregados com esse saboroso fruto do Cerrado, rico em vitaminas A e C. Aos fãs da especiaria, vale destacar que o pequi não deve ser colhido dos galhos, pois ainda não estão maduros. Apenas os frutos caídos no chão já estão prontos para o consumo.
O pequizeiro é uma árvore protegida por lei, tendo o corte e a comercialização da madeira proibidos em todo o território nacional (Portaria Federal 54, de 5 de março de 1987). Além disso, a espécie é tombada no Distrito Federal (Decreto Distrital n° 14.783, de 17 de junho de 1993). Do pequi, é possível extrair o óleo, a castanha e produzir medicamentos. A utilização medicinal do fruto se dá como afrodisíaco e no tratamento de problemas respiratórios. As folhas da árvore são adstringentes e estimulam o funcionamento do fígado.
Na culinária, uma das receitas mais conhecidas é o tradicional arroz com pequi, que provamos bastante a cada fim de expediente na construção da sede do Sítio Amarelo. Estão todos servidos?
segunda-feira, 23 de janeiro de 2012
Banheiro se faz assim
Chegamos à fase de acabamentos e, evidentemente, já não resta dinheiro algum para continuar a obra. A estratégia, então – econômica e ambientalmente viável nessa etapa –, é apelar à criatividade e ao reaproveitamento de materiais. O banheiro da sede do Sítio Amarelo foi todo revestido com peças cerâmicas que sobraram de outras obras.
Com habilidade e paciência, o construtor esculpiu o piso e as paredes como um mosaico de cacos de cerâmica multicoloridos. Dessa forma, obtém-se um resultado único e artístico.
A pedra de mármore que sustenta a pia também foi reaproveitada de uma reforma e retirada diretamente de um contêiner. Lapidamos os cantos e conseguimos uma peça perfeita para o nosso objetivo. A cuba elipse era a última em uma loja e saiu por um precinho promocional. O sanitário usa o sistema de descarga econômica, com opção para fluxos d'água de 3 ou 6 litros.
terça-feira, 17 de janeiro de 2012
Uma ilustre e bela visitante
As obras da sede do Sítio Amarelo estão praticamente concluídas, restando apenas a pintura e a instalação de portas e janelas. Por isso, iniciamos os trabalhos de recuperação de alguns móveis que nos foram generosamente doados, mas estavam guardados em um depósito improvisado, coberto por lonas. Quando nos preparávamos para retirar um pequeno armário, vejam só quem estava debaixo.
Desde o início da movimentação, já prevíamos que algo parecido poderia acontecer (como, de fato, ocorreu). Mantivemos a calma, apreciamos a beleza insinuante da serpente (algum leitor do blog arriscaria a identificação da espécie?) e pedimos gentimente para que ela procurasse outro abrigo.
Seguindo à risca nossa política de absoluto respeito à vida selvagem, com a ajuda de uma vara de bambu, levamos a cobra até um lugar seguro, em um ponto mais afastado da casa.
Ao contrário do que o senso comum proclama, as serpentes não são traçoeiras ou relacionadas ao pecado. Algumas culturas até as admiram como símbolos da sabedoria. Seja como for, o fato concreto é que esses seres exercem funções importantes no equilíbrio ecológico. Por isso, no Sítio Amarelo, não matamos as cobras, mas mostramos (e plantamos) o bambu.
quarta-feira, 28 de dezembro de 2011
Anexo I e outras novidades
Os trabalhos seguem em ritmo intenso e, nas últimas semanas, a construção da sede do Sítio Amarelo entrou definitivamente na reta final, com a fase de acabamentos. Durante as atividades recentes, no entanto, surgiram novidades, como a obra do Anexo I.
A nova construção usa basicamente duas tecnologias sustentáveis: o adobe (tijolos de terra crua) e o superadobe (terra compactada em bombinas de ráfia). Dessa forma, evitamos a derrubada de florestas para a produção de lenha que seria usada na fabricação de tijolos cozidos.
A princípio, a ideia era utilizar o espaço como um depósito para ferramentas e outros objetos. Mas o bioconstrutor Geraldo Bertelli caprichou tanto no serviço que já estamos pensando em transformar a nova construção em um chalé para hóspedes ou outros usos. Diante da indefinição, ganhou o singelo apelido de Anexo I. Em breve, voltaremos com mais detalhes sobre essa obra.
Outra boa notícia fica por conta da construção do nosso fogão à lenha. No caso dessa obra, fomos obrigados a utilizar tijolos cozidos, como forma de garantir a resistência do artefato diante do calor gerado pela peça em funcionamento.
De qualquer forma, foi possível introduzir técnicas da construção natural no fogão caipira. A divisão dos compartimentos da peça foi realizada com a aplicação de pequenas paredes de superadobe.
O piso da casa-mãe também já foi finalizado, utilizando a técnica conhecida como cimento queimado. O resultado apresenta um certo aspecto rústico, mas tem baixo custo e é bastante eficiente quanto à manutenção.
A cozinha recebeu a instalação da pia. A peça foi reaproveitada após o descarte realizado em uma reforma de apartamento em Brasília. No Sítio Amarelo, levamos a sério os conceitos de reciclagem.
A pintura da casa-mãe também começa a se desenhar. Após a retirada dos sacos de superadobe, por meio da queima com uso de maçarico, as paredes externas foram rebocadas e receberam uma primeira demão de tintura à base de cal e cola. O próximo passo será estabelecer um desenho criativo para as fachadas. Amigos artistas, sintam-se convidados para a tarefa...
Calhas para a captação de água da chuva foram instaladas ao redor de toda a casa. O recurso será usado para abastecer reservatórios, que entrarão em uso durante o longo período de estiagem no Cerrado.
Por fim, a fachada frontal ganhou uma proteção de vidros na parte superior, como forma de diminuir a entrada de chuva na varanda. Mais uma vez, utilizamos peças retiradas de reformas de imóveis em Brasília. Essa estratégia tem nos ajudado a reduzir diversos custos. Por ora, é isso! Demos uma pincelada geral para mostrar como seguem os trabalhos no Sítio Amarelo e, em breve, voltaremos com mais novidades em detalhes. Até logo e feliz 2012 para todos!
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