sexta-feira, 10 de junho de 2011

Agora vai!

Após longo recesso forçado, devido ao período chuvoso, os trabalhos para construção da sede do Sítio Amarelo foram reiniciados na última semana. As paredes de superadobe, que definem o contorno externo da casa, já atingiram a altura de 2,5m. As primeiras janelas, feitas a partir de manilhas de concreto, também foram inseridas na estrutura.


No vídeo acima, assista à execução da técnica para
confecção da fiada de superadobe.

A escavação mostrada na foto acima servirá para a instalação da fossa de evapotranspiração da casa. Essa técnica permite o saneamento biológico do esgoto, evitando a contaminação do solo e do lençol freático. Parte da terra removida é aproveitada na estrutura da obra.



Em mais um breve vídeo, assista ao trabalho de compactação da terra na produção do superadobe. Primeiro, leves passadas. Depois, entra em cena uma ferramenta específica para o serviço, conhecida como "carinhoso".

Mais adiante, a construção da sede do Sítio Amarelo ainda usará tijolos de adobe nas divisões internas da casa. Obras realizadas com as técnicas empregadas neste projeto têm uso bastante reduzido de ferro e cimento. Além disso, poupam a derrubada e queimada de inúmeras árvores para a fabricação de tijolos cozidos, pois aqui trabalhamos com terra crua. Por esses e outros motivos, pode-se afirmar que se trata de uma atividade ecológica e sustentável.

Em breve, voltaremos com mais novidades!

domingo, 29 de maio de 2011

Uma lição da agroecologia

Vejam que valiosa lição o curso de agroecologia da Escola da Natureza (em Brasília) nos ensina. Para acabar com o mato ao redor de mudas recém-transplantadas para o local definitivo, não é necessário perder tempo e suor capinando o terreno. Basta aplicar a técnica do mulch.
O primeiro passo é cobrir a área a ser protegida com folhas de papel. Vale jornal, papelão e tudo mais, desde que sem resíduos de plástico ou tinta colorida (pois pode haver contaminação do solo por chumbo ou outros metais pesados).


Em seguida, cobre-se a camada de papel com folhas ou palha seca. Isso fará com que todo o material depositado ao redor da planta se decomponha gradualmente, oferecendo nutrientes e protegendo o solo das ações desgastantes do sol e do vento, além de reter a água nas raízes das plantas por mais tempo.


Com o passar do tempo, o resultado é o exposto na foto acima. As plantas que se pretende proteger ficam livres da concorrência com o mato e assim se desenvolvem mais facilmente. Fácil, prático e natural!

Com textos e fotos da bióloga Clarice Lino

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Guarde bem a sua água

Vamos agora a uma rápida exposição sobre a construção de um valioso reservatório hídrico. A estrutura de ferrocimento é bastante utilizada
mundo afora e tem inúmeras vantagens: fácil de construir, custo razoável, grande capacidade de armazenamento e boa durabilidade. O formato cilíndrico da edificação tem por objetivo orientar toda a pressão da água para baixo, evitando rachaduras nas paredes. A obra exposta nesta postagem foi feita no Parque da Asa Sul (Brasília-DF), por meio de parceria entre a ONG Ipoema e os governos local e Federal. Abaixo, algumas fases da obra.


O primeiro passo é a definição da área do reservatório. Uma vez estabelecida a circunferência do alicerce, o terreno deve ser limpado e nivelado, antes da aplicação de uma massa forte.


O passo seguinte é organizar a estrutura de ferro que servirá para moldar o reservatório. Para essa etapa, usa-se a chamada tela de reforço, vendida já montada em lojas de materiais de construção.


Em um local plano, a tela de reforço de ferro deve ser revestida por uma tela mosquiteira, fixada de maneira bem justa, por meio de arames recozidos. Essa instalação é imprescindível para auxiliar a fixação da argamassa na armação metálica, criando uma superfície de aderência.


Na imagem acima, a exibição em detalhe da tela de
reforço de ferro revestida pela tela mosquiteira.


O trabalho ganha mais emoção na hora de colocar de pé a armação metálica. Essa etapa demandará mais de uma pessoa na atividade. Com o uso de arames, a futura parede deve ser amarrada na tela de reforço metálica, que também cobre o alicerce.


Na imagem acima, um detalhe da fase de instalação e da amarração das estruturas de ferro.

Após fechar a armação metálica em formato cilíndrico, o passo seguinte é o revestimento da estrutura com argamassa. Será necessário aplicar três demãos até a conclusão do trabalho. Na primeira, o traço ideal terá a seguinte proporção: 2 de cimento para 1 de areia.


Em detalhe, uma parte da armação metálica coberta com a
primeira demão de argamassa. Perceba que o revestimento tem
espessura bastante fina. E isso é o ideal!


Na obra desta exposição de fotos, o construtor tomou o cuidado de reforçar a estrutura com vergalhões de ferro, contornando toda a estrutura a cada 50cm de altura. Um zelo que evita o surgimento de rachaduras.



No vídeo acima, assista a uma breve etapa do trabalho de revestimento do reservatório com argamassa. Note que a massa deve estar bem firme para uma boa fixação vertical.


A aplicação do segundo revestimento de argamassa tem uma pequena diferença em relação ao primeiro. Nesta fase, entra um novo componente: a adição de um impermeabilizante. A proporção da mistura para fazer a massa fica da seguinte forma: 2 de cimento / 1 de areia / 2 litros de Sika1.



No vídeo acima, assista a mais um pouco do trabalho de revestimento do reservatório com argamassa.

Chegou a hora de concluir o trabalho! O reservatório de ferrocimento já revela formato bem definido, com revestimento nas partes interna e externa. Falta, porém, fechar o tanque, com uma cobertura. Abaixo, veremos algumas nuances de como isso pode ser feito (clique nas imagens para ampliar). Na foto acima, tirada no Parque da Asul (Brasília-DF), temos a casa de superadobe, que destinará a água da chuva caída sobre o telhado para o tanque, por meio do uso de calhas e tubulação.


O primeiro passo nessa etapa é o arremate da estrutura de ferro. Na parte superior do reservatório, deve-se cortar os excessos de telas e vergalhões.


Em seguida, os vergalhões são dobrados, de forma a servir como primeiro apoio e ponto de amarração da estrutura da cobertura que será instalada.



No vídeo acima, assista a como o jovem mestre Domingos
prepara o reservatório para receber a cobertura.



A estrutura da cobertura é preparada de forma semelhante ao corpo do reservatório e deve ser grande o suficiente para cobrir o espaço aberto no topo do tanque.


São necessários alguns braços fortes e bem dispostos para levar a armação da cobertura até o topo do reservatório. Após esticar e distribuir a estrutura na parte superior do tanque, deve-se fazer o escoramento para sustentar a cobertura.



Acima, assista ao breve vídeo com os primeiros instantes após a colocação da estrutura da cobertura sobre o topo do reservatório de ferrocimento.



Após acertar a posição da estrutura da cobertura, realiza-se o corte dos excedentes de vergalhões e telas para que se faça a amarração das armações de ferro. Veja no vídeo.


Acima, uma imagem da instalação da cobertura. O uso criterioso das escoras é importante para permitir o trabalho em cima da estrutura de ferro.


No detalhe (clique na imagem para ampliar), a amarração com arames recozidos entre as estruturas da cobertura e do corpo do reservatório de ferrocimento.



Uma parte importante do trabalho é a instalação da escotilha
de acesso ao reservatório. Assista ao vídeo acima.



Após a instalação da escotilha de acesso, seguem-se os últimos ajustes de posicionamento da cobertura, antes de iniciar a aplicação da argamassa.



No vídeo acima, um pouco do trabalho preliminar à aplicação
de argamassa na cobertura.



Para a aplicação da argamassa na cobertura, é necessário reforçar o escoramento, pois o peso aumenta significativamente. O reboco é iniciado pelo lado externo da cobertura.


Na foto acima, a aplicação da primeira camada de argamassa sobre a cobertura está quase completa. Externa e internamente, são necessárias duas demãos. Depois que o revestimento de fora seca, pode-se gradualmente retirar o escoramento para permitir o trabalho no interior do reservatório.


Antes da pintura, o reservatório passa ainda pelo revestimento de uma nata, feita com um traço que leva um saco de cimento e dois litros do impermeabilizante Sika 1, aplicada com o auxílio de uma bucha. Com a obra concluída, resta apenas instalar as calhas e a tubulação, com objetivo de destinar a água da chuva que cai sobre o telhado para o tanque de ferrocimento.


Não se pode esquecer, desde o início dos trabalhos, a previsão para um ladrão, na parte superior do reservatório, e de uma saída d'água, próxima à base da obra.
A construção exposta nesta postagem foi realizada no Parque da Asa Sul (Brasília-DF), por meio de parceria entre a ONG Ipoema e os governos local e Federal, sob a orientação do jovem mestre Domingos (61-8116-9885).

segunda-feira, 7 de março de 2011

O causo da anta jardineira


No vídeo acima, o sábio sr. Geraldo (guia da Chapada dos Veadeiros, bioconstrutor, mateiro e gerente da Chácara e Ecopousada Rebendoleng) nos ensina sobre como agentes da natureza trabalham na manutenção dos ciclos da vida. Confira!

domingo, 26 de dezembro de 2010

Flores e cores


Estamos na estação mais esplêndida do Cerrado. Com a chegada do período chuvoso, a paisagem fica dominada pelo verde e por uma biodiversa profusão de floridas cores. Nas fotos acima (clique na imagem para ampliar), três graciosas espécies encontradas em um rápido passeio matinal pelo Sítio Amarelo. Naturalmente, um convite para o romance...

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

A aventura vai começar

Chegou a hora! Depois de muita pesquisa e planejamento acerca de possibilidades sustentáveis, finalmente iniciamos a construção da sede do Sítio Amarelo. Será uma casa com cerca de 60m quadrados, que reunirá a utilização das técnicas do superadobe e do adobe. As paredes começam a se erguer... Ainda há muito trabalho pela frente e tanto mais já ficou para trás... Vamos, então, nas próximas fotos, retomar um pouco dessa divertida história...


De certa forma, tudo começa na Chácara e Ecopousada Rebendoleng, onde o sr. Geraldo e o filho Luan fazem alguns dos melhores adobes de toda a Chapada dos Veadeiros. A esses dois talentosos bioconstrutores, encomendamos duas mil peças. Na foto acima, o ponto de extração da terra para a confecção dos tijolos e, logo atrás, a pilha do produto finalizado.


Antes de a construção propriamente dita iniciar, seguem-se uma série de preparativos logísticos. A organização do canteiro de obras é imprescindível. No Sítio Amarelo, improvisamos uma pequena barraca de lona para abrigar alguns materiais e ferramentas.


A demarcação da casa no terreno é outro momento especial dos trabalhos. Na foto acima, o sr. Geraldo em ação. Relembrando uma frase célebre de um antigo amigo construtor, "quem manda na obra não é o engenheiro, nem o arquiteto, nem o pedreiro. Quem manda na obra é a linha, o prumo e o esquadro". Sábias palavras, saudoso Antônio!


Sem água ninguém vive e também fica difícil trabalhar. Tratamos então de levar esse precioso recurso até o nosso canteiro de obras. Com a ajudinha de um trator (sempre desviando das árvores e arbustos do caminho), escavamos uma vala, de cerca de 200m de extensão por 40cm de profundidade, e enterramos a mangueira, que ajudará a abastecer o acampamento.


Energia elétrica também será importante. Fizemos nosso pedido à Celg (a companhia responsável pelo setor em Goiás) e adquirimos um poste padrão (na foto acima), que teve de ser levado até o Sítio Amarelo em nossa útil e charmosa carretinha



O acesso ao Sítio Amarelo também demandou atenção especial. Tivemos de colocar cascalho em trechos da pequena estrada. No vídeo acima, um caminhão descarrega uma remessa do material.


Com a fase de preparativos ultrapassada, chega o momento de colocar a mão na massa. Ou melhor, na terra. A técnica de confecção do superadobe é relativamente simples. Com a ajuda de um balde e um funil, vai-se enchendo o saco com terra e o esticando sobre a fiada anterior.


Depois é hora de compactar a terra dentro do saco. Essa etapa pode ser realizada de diferentes formas (manualmente ou com máquinas). O sr. Geraldo gosta de fazer o serviço com a ajuda do "carinhoso", essa singela ferramenta que você vê na foto.


A compactação da terra nos sacos também deve ser realizada nas laterais das paredes. Assim, depois ficará mais fácil aplicar o reboco. E dá-lhe, carinhoso!


E nesses primeiros dias de trabalho, é isso o que temos. As paredes externas da casa (de superadobe) estão com pouco mais de 1m de altura. As vigas de madeira nas laterais servem como um tipo de escora, que serão utilizadas até que a estrutura do telhado seja instalada, travando definitivamente as paredes.


Por fim, uma vista geral e frontal da obra, explicitando as divisões da casa: uma pequena varanda na frente, com sala (à esquerda), cozinha (à direita), banheiro e dois quartos (ao fundo). A separação dos ambientes será feita com tijolos de adobe. Até breve com mais novidades!

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Reportagem sobre superadobe


Ao lado, uma reportagem publicada no Correio Braziliense sobre a construção de superadobe realizada no Parque da Asa Sul, em Brasília. Basta clicar na imagem para vê-la em tamanho maior. Você pode salvá-la no seu computador e pedir uma impressão para ler o material.

A publicação tem informações interessantes e até um passo a passo acerca do início dos trabalhos com superadobe. Vale a pena conferir.

Boa leitura!